sábado, 14 de agosto de 2010

Uma história vocacional






Na ocasião do dia da Vida Consagrada
15 de Agosto





Segue-me! Sussurrou Deus em seu ouvido e, com carinho, lhe abriu os olhos. Sedenta e angustiada, em busca de apoio nEle, suplicando-lhe pela cura de alguém que lhe é especial, reaproxima-se da Igreja.
Alguns descaminhos a fizeram prosseguir ocultando a sua face ao Deus que, agora, implorava consolo. Buscava caminhos e percorria a estrada que conduziria ao encontro consigo e com Ele.
Como se ela necessitasse de um sinal, esse lhe fora dado. Sentou-se ao seu lado, alguém para quem “direcionou o olhar” e “ enxergou”. Daquele momento em diante, passou a olhar a sua realidade com o olhar de alguém que havia sido enxergado com olhos pascais, olhos de ressurreição.
O convite estava feito, a palavra fora semeada e, em seu coração, Deus havia plantado o desejo, o mais profundo, de querer passar para a outra margem, ainda que enfrentando tempestades.
Ela compreendera que naquele momento, a misericórdia de Deus se fazia PRESENÇA, pois lhe abriu caminhos para ser suportada em sua desesperança. E o Senhor, depois de lhe ter convidado a abrir os olhos, tocou em sua face, se disse ESPERANÇA, tomou sua mão e disse-lhe: “O que temes? Então não sabes que fui eu que te carreguei, que renovo todas as coisas? Não tenhas medo de recomeçar, estou contigo!
E assim, começou mais um tempo na vida daquela que foi agraciada por Deus. Era a continuação do tempo de Graça do Senhor em sua vida. Dessa vez, ela compreendera. E depois de abrir os olhos, levantou-se e começou a andar, apressadamente, para recuperar o tempo perdido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em ritmo de Bumba-Boi

As férias passaram e, com elas, o tempo de festas juninas.
Vocês sabem que no Maranhão a cultura do Bumba-Boi é muito importante? Bumba-Boi é uma das expressões culturais mais fortes do povo Maranhense. E Eu me considero maranhense, pois cheguei no Maranhão há 53 anos. Isso mesmo, em 1957, através de três Irmãs de Caridade de Montreal que vieram em Missão, o meu carisma de Manifestar a todos, especialmente aos mais pobres, a Ternura de Deus Pai/Mãe Providência se tornou conhecido, em terras maranhenses. Pois a minha Missão é sem fronteiras. Nós, “Soeurs Grises”, somos convidadas a evangelizar e cuidar dos mais pobres onde se fizer necessário. E foi, respondendo a um convite da Igreja do Maranhão que a Diocese de Nicolet, do Canadá, Estado do Québec, resolveu enviar Missionárias e Missionários para o Brasil.
Como eu estava narrando, o Bumba-Boi é uma bela manifestação da cultura popular maranhense. E eu fui homenageada este ano com uma apresentação de Boi. O Brilho de Margarida, nome em minha homenagem, fora feito por uma de minhas irmãs, mas se apresentava somente para as mesmas ou para um público interno. Contudo, este ano foi diferente. Ir. Celeste, a criadora do Brilho, com a ajuda de sua família e da vocacionada Lucieny Veloso se empenharam na preparação à apresentação do Brilho, em uma boiada. Este ficou mais bonito e também ganhou uma madrinha, D. Maria do Céu, que muito se empenhou para deixá-lo mais brilhoso. Foram meses preparando o novo “couro” do boi e seus chapéus- tarefa árdua que sua criadora, Ir Celeste, não mediu esforços para empreender. Tomou-se emprestado do Boi da Liberdade as roupas para vestir as índias e os campeadores. Pedro Oliveira, irmão de Ir. Celeste, fez as toadas. Lucieny ensaiou as índias e se empenhou em conseguir as indumentárias. O convite era para uma apresentação pública, no Arraial da Rua da Glória, ao lado de nossa casa. Foram dias de ensaios. E assim, no dia 26 de Junho, sons e cores das festas juninas invadiam a Casa das Irmãs de Caridade, no Monte Castelo. Acolhia-se os toadores que chegavam com tambores e pandeirões e enfeitava-se as índias para a dança. Assim, com muito entusiasmo e estilo, apresentava-se o Boi, Brilho de Margarida, no Arraial da Rua da Glória. As toadas recontavam a minha história, anunciavam e falavam do Deus de Jesus Cristo, na linguagem popular.
Foi muito gratificante ver o “Brilho” (como chamamos carinhosamente o Boi) alegrando os homens, as mulheres e as crianças que participavam do arraial. Os olhos brilhavam e os corações pulsavam ao ritmo das batidas dos pandeirões. A festa continuou, após a apresentação. Nossa casa estava repleta de gente, do jeito que gosto, como minhas Irmãs sabem fazer! Os brincantes do boi, Associadas/dos de Santa Margarida, vocacionadas, amigos/as e familiares se confraternizavam e recebiam a acolhida generosa de minhas Irmãs.
A expressão da cultura de um povo tão acolhedor me enche de alegria. É um sinal do carinho com que o Maranhão recebe a mim e a minhas irmãs.