VOCAÇÃO: Eticidade, Profissão e Vida
Religiosa Consagrada
A sensibilidade à solidariedade tem
sido prática que agrega ao universo de sentido da atual sociedade. A
inquietação para o bem em um mundo global e midiático que visibiliza as mais
cruentas expressões do mal questiona esse mundo com perda de sentido que se
quer melhor. Essa é uma realidade social e do ponto de vista ético, quem
escolhe a vida, o bem, a luta pela Vida Boa ou Vida Feliz é vocacionada/do.
O termo vocação aparece na reflexão
ética como convite ao humano que somos e que queremos, no respeito aos direitos
mais fundamentais. Por assim o serem, pretendem-se inegociáveis. Nesse sentido não entramos no
mérito das verdades subjetivas que diferem de pessoas para pessoas e tampouco das
verdades que compõem o mundo de sentido de comunidades moralmente constituídas.
Mas, dizemos dos valores mais caros, subjetiva e esteticamente necessários à
convivência e à Vida Boa.
Vocação, como chamado e como
resposta, dando-se ênfase à excelência da escolha pelo bem que é belo. Vocacionada/do
à eticidade. Esse chamado independe de religiosidade, pois qualquer pessoa,
racionalmente, pode atendê-lo, trata-se de vocação à humanidade!
Sobre o conceito vocacional,
reputa-se, comumente o da vocação religiosa e vocação profissional. Para este
último, a vocação à eticidade está implícito o de identificação com a profissão
com a finalidade de bem servir. O que contraria isso é quando a escolha
profissional é determinada pelo fator mercadológico, em detrimento aos dons, às
habilidades/ identificação.
A vocação religiosa deve surgir como
resposta à eticidade. Sou vocacionada/do a servir, a fazer o bem. E essa
proposta amplia-se quando se escolhe uma vida de missão. Nesse caso, o
profissional faz isso muito bem ao escolher fazer de sua profissão uma vocação.
A vocação Religiosa Consagrada que
tem sua história desde os primeiros séculos através de homens e mulheres que se
propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, a seguir ao Cristo com
maior liberdade, vivendo na solidão ou em famílias religiosas,em sua
atualização e resposta ao mundo contemporâneo vê-se desafiada a responder aos
gritos da atualidade.
Na época de seu surgimento, ir para o
deserto, afastar-se “do mundo” era profetismo cristão, atualmente a resposta ao
deserto moderno é profetismo. Estar “no mundo”, visibilizar a mensagem cristã
nos diversos espaços de missão. Dizer aos jovens que se opta por uma vida
consagrada no meio social, que existe a Vida Monástica para os que escolhem
viver reclusos e existe a Vida Apostólica para os que necessitam exercer sua
vocação também com sua profissão. A profissão tornou-se uma condição necessária
para qualificar a presença ao serviço evangélico.
Há ainda jovens que se espantam ao
saberem que uma religiosa ou religioso consagrados podem ser profissionais. E
quando os encontram em seus espaços profissionais, perguntam: “Mas você mora
mesmo em uma comunidade consagrada, em um convento?” A constatação dessa
admiração tem me demonstrado o quanto o conceito de Vida Religiosa Consagrada
congelou no tempo e que é necessário visibilizar uma presença atualizada do que
chamamos “freira/frei”, “irmã/irmão”,
dar a saber que a Vida Religiosa
Consagrada trabalha para sua autossustentação,
devendo ser vocacionada triplamente: à eticidade, à profissão e à vida cristã em comunidade.
Isso é tão dinâmico que não deve deixar margem para acomodação, para a busca de
status. É originário por ser a vida em comunidade, com o lema “reza e trabalha” essenciais à vida consagrada em suas mais
remotas origens.
Às jovens que desafiam a si mesmas
com um sim à Vida Religiosa Consagrada se possibilitando viver a experiência em
uma comunidade, minha acolhida e votos de caminhos produtivos no Espírito. Com
a iluminação da Ruah, sopro de vida e as bênçãos da Mãe Abençoada.
Ir. Sants Lopes
Irmãs da Caridade de Montreal/SGM[
