terça-feira, 12 de março de 2013

VOCAÇÃO: Eticidade, Profissão e Vida Religiosa Consagrada

A sensibilidade à solidariedade tem sido prática que agrega ao universo de sentido da atual sociedade. A inquietação para o bem em um mundo global e midiático que visibiliza as mais cruentas expressões do mal questiona esse mundo com perda de sentido que se quer melhor. Essa é uma realidade social e do ponto de vista ético, quem escolhe a vida, o bem, a luta pela Vida Boa ou Vida Feliz é vocacionada/do.
O termo vocação aparece na reflexão ética como convite ao humano que somos e que queremos, no respeito aos direitos mais fundamentais. Por assim o serem, pretendem-se  inegociáveis. Nesse sentido não entramos no mérito das verdades subjetivas que diferem de pessoas para pessoas e tampouco das verdades que compõem o mundo de sentido de comunidades moralmente constituídas. Mas, dizemos dos valores mais caros, subjetiva e esteticamente necessários à convivência e à Vida Boa.
Vocação, como chamado e como resposta, dando-se ênfase à excelência da escolha pelo bem que é belo. Vocacionada/do à eticidade. Esse chamado independe de religiosidade, pois qualquer pessoa, racionalmente, pode atendê-lo, trata-se de vocação à humanidade!
Sobre o conceito vocacional, reputa-se, comumente o da vocação religiosa e vocação profissional. Para este último, a vocação à eticidade está implícito o de identificação com a profissão com a finalidade de bem servir. O que contraria isso é quando a escolha profissional é determinada pelo fator mercadológico, em detrimento aos dons, às habilidades/ identificação.
A vocação religiosa deve surgir como resposta à eticidade. Sou vocacionada/do a servir, a fazer o bem. E essa proposta amplia-se quando se escolhe uma vida de missão. Nesse caso, o profissional faz isso muito bem ao escolher fazer de sua profissão uma vocação.


A vocação Religiosa Consagrada que tem sua história desde os primeiros séculos através de homens e mulheres que se propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, a seguir ao Cristo com maior liberdade, vivendo na solidão ou em famílias religiosas,em sua atualização e resposta ao mundo contemporâneo vê-se desafiada a responder aos gritos da atualidade.
Na época de seu surgimento, ir para o deserto, afastar-se “do mundo” era profetismo cristão, atualmente a resposta ao deserto moderno é profetismo. Estar “no mundo”, visibilizar a mensagem cristã nos diversos espaços de missão. Dizer aos jovens que se opta por uma vida consagrada no meio social, que existe a Vida Monástica para os que escolhem viver reclusos e existe a Vida Apostólica para os que necessitam exercer sua vocação também com sua profissão. A profissão tornou-se uma condição necessária para qualificar a presença ao serviço evangélico.
Há ainda jovens que se espantam ao saberem que uma religiosa ou religioso consagrados podem ser profissionais. E quando os encontram em seus espaços profissionais, perguntam: “Mas você mora mesmo em uma comunidade consagrada, em um convento?” A constatação dessa admiração tem me demonstrado o quanto o conceito de Vida Religiosa Consagrada congelou no tempo e que é necessário visibilizar uma presença atualizada do que chamamos “freira/frei”, “irmã/irmão”,  dar a saber que a  Vida Religiosa Consagrada trabalha para sua  autossustentação, devendo ser   vocacionada triplamente:  à eticidade, à profissão e à vida cristã em comunidade. Isso é tão dinâmico que não deve deixar margem para acomodação, para a busca de status. É originário por ser a vida em comunidade, com  o lema “reza e trabalha”  essenciais à vida consagrada em suas mais remotas origens.
Às jovens que desafiam a si mesmas com um sim à Vida Religiosa Consagrada se possibilitando viver a experiência em uma comunidade, minha acolhida e votos de caminhos produtivos no Espírito. Com a iluminação da Ruah, sopro de vida e as bênçãos da Mãe Abençoada.
Ir. Sants Lopes
 Irmãs da Caridade de Montreal/SGM[

sábado, 14 de agosto de 2010

Uma história vocacional






Na ocasião do dia da Vida Consagrada
15 de Agosto





Segue-me! Sussurrou Deus em seu ouvido e, com carinho, lhe abriu os olhos. Sedenta e angustiada, em busca de apoio nEle, suplicando-lhe pela cura de alguém que lhe é especial, reaproxima-se da Igreja.
Alguns descaminhos a fizeram prosseguir ocultando a sua face ao Deus que, agora, implorava consolo. Buscava caminhos e percorria a estrada que conduziria ao encontro consigo e com Ele.
Como se ela necessitasse de um sinal, esse lhe fora dado. Sentou-se ao seu lado, alguém para quem “direcionou o olhar” e “ enxergou”. Daquele momento em diante, passou a olhar a sua realidade com o olhar de alguém que havia sido enxergado com olhos pascais, olhos de ressurreição.
O convite estava feito, a palavra fora semeada e, em seu coração, Deus havia plantado o desejo, o mais profundo, de querer passar para a outra margem, ainda que enfrentando tempestades.
Ela compreendera que naquele momento, a misericórdia de Deus se fazia PRESENÇA, pois lhe abriu caminhos para ser suportada em sua desesperança. E o Senhor, depois de lhe ter convidado a abrir os olhos, tocou em sua face, se disse ESPERANÇA, tomou sua mão e disse-lhe: “O que temes? Então não sabes que fui eu que te carreguei, que renovo todas as coisas? Não tenhas medo de recomeçar, estou contigo!
E assim, começou mais um tempo na vida daquela que foi agraciada por Deus. Era a continuação do tempo de Graça do Senhor em sua vida. Dessa vez, ela compreendera. E depois de abrir os olhos, levantou-se e começou a andar, apressadamente, para recuperar o tempo perdido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em ritmo de Bumba-Boi

As férias passaram e, com elas, o tempo de festas juninas.
Vocês sabem que no Maranhão a cultura do Bumba-Boi é muito importante? Bumba-Boi é uma das expressões culturais mais fortes do povo Maranhense. E Eu me considero maranhense, pois cheguei no Maranhão há 53 anos. Isso mesmo, em 1957, através de três Irmãs de Caridade de Montreal que vieram em Missão, o meu carisma de Manifestar a todos, especialmente aos mais pobres, a Ternura de Deus Pai/Mãe Providência se tornou conhecido, em terras maranhenses. Pois a minha Missão é sem fronteiras. Nós, “Soeurs Grises”, somos convidadas a evangelizar e cuidar dos mais pobres onde se fizer necessário. E foi, respondendo a um convite da Igreja do Maranhão que a Diocese de Nicolet, do Canadá, Estado do Québec, resolveu enviar Missionárias e Missionários para o Brasil.
Como eu estava narrando, o Bumba-Boi é uma bela manifestação da cultura popular maranhense. E eu fui homenageada este ano com uma apresentação de Boi. O Brilho de Margarida, nome em minha homenagem, fora feito por uma de minhas irmãs, mas se apresentava somente para as mesmas ou para um público interno. Contudo, este ano foi diferente. Ir. Celeste, a criadora do Brilho, com a ajuda de sua família e da vocacionada Lucieny Veloso se empenharam na preparação à apresentação do Brilho, em uma boiada. Este ficou mais bonito e também ganhou uma madrinha, D. Maria do Céu, que muito se empenhou para deixá-lo mais brilhoso. Foram meses preparando o novo “couro” do boi e seus chapéus- tarefa árdua que sua criadora, Ir Celeste, não mediu esforços para empreender. Tomou-se emprestado do Boi da Liberdade as roupas para vestir as índias e os campeadores. Pedro Oliveira, irmão de Ir. Celeste, fez as toadas. Lucieny ensaiou as índias e se empenhou em conseguir as indumentárias. O convite era para uma apresentação pública, no Arraial da Rua da Glória, ao lado de nossa casa. Foram dias de ensaios. E assim, no dia 26 de Junho, sons e cores das festas juninas invadiam a Casa das Irmãs de Caridade, no Monte Castelo. Acolhia-se os toadores que chegavam com tambores e pandeirões e enfeitava-se as índias para a dança. Assim, com muito entusiasmo e estilo, apresentava-se o Boi, Brilho de Margarida, no Arraial da Rua da Glória. As toadas recontavam a minha história, anunciavam e falavam do Deus de Jesus Cristo, na linguagem popular.
Foi muito gratificante ver o “Brilho” (como chamamos carinhosamente o Boi) alegrando os homens, as mulheres e as crianças que participavam do arraial. Os olhos brilhavam e os corações pulsavam ao ritmo das batidas dos pandeirões. A festa continuou, após a apresentação. Nossa casa estava repleta de gente, do jeito que gosto, como minhas Irmãs sabem fazer! Os brincantes do boi, Associadas/dos de Santa Margarida, vocacionadas, amigos/as e familiares se confraternizavam e recebiam a acolhida generosa de minhas Irmãs.
A expressão da cultura de um povo tão acolhedor me enche de alegria. É um sinal do carinho com que o Maranhão recebe a mim e a minhas irmãs.

domingo, 25 de julho de 2010

Batismo

Nasci no dia 15 de outubro de 1701, em Varennes, em um pequeno povoado da província de Quebec, no Canadá, um lugar simples e profundamente cristão e fui batizada no dia seguinte. Eu era a primogênita dos meus pais que se chamavam Cristovão Dufrost de Lajemmerais e Maria Renée-Gaultier de Varennes.
Ainda me lembro do nome da igreja em que fui batizada, era igreja paroquial de Sant’ Ana. Papai todo orgulhoso me pôs no colo do “vô” Pedro ou Senhor Pedro Boucher, como era conhecido na época, para que eu recebesse a tradicional benção.
Detalhar esse dia, mais que isso, eu não posso, pois ainda era só um bebê. Meu batizado foi um dos dias mais importantes da minha vida, disso eu posso ter certeza.
Fiquem ligados no meu blog. Em breve novas postagens!!!